sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Valorize o artista ou ele abandona a arte


       Quanto mais me envolvo com a cena cultural de Salvador, seja através da literatura ou da música, mais fico triste com a falta de valorização dos artistas soteropolitanos. Nos últimos anos tenho conhecido vários artistas com trabalhos maravilhosos e gostaria muito de vê-los fazendo sucesso e dando a opção que todos buscam e discutem quando o assunto abordado é a cultura baiana.

     Reclamamos desta falta de opção, dizemos que na Bahia só tem axé music e pagodão (como nos acostumamos a chamar o pagode), os show’s que chamamos de alternativos que acontecem no Rio Vermelho, muitos começam depois das 23 horas e nem todos tem acesso devido à falta de segurança e o lamentável transporte público da nossa cidade. Mas a culpa é sempre alheia?

      Tenho percebido que não, pois outro problema envolve o acesso ao trabalho artístico de boa qualidade, é que muitas vezes ele acontece debaixo do nosso nariz e não enxergamos. Temos a tendência de reconhecer o sucesso de um ator, músico ou banda, escritor, artista plástico e outros, depois que ele consegue m patrocinador e a grande mídia o abraça. Ai está o maior problema, esperar isso acontecer para valorizar quem merece.

     Muitas bandas e cantores em carreira solo se apresentam em barzinhos em seus próprios bairros e não vamos vê-los, vários escritores tem publicado e lançado seus livros e poucos compram, poetas tem recitado seus poemas em ônibus e praças públicas e alguns se incomodam, o Centro Cultural Plataforma e os de outros bairros tem apresentado bons espetáculos a preços populares, porém ainda estamos acostumados a ir ao Castro Alves.

    Então, fico feliz cada vez que tenho a oportunidade de conhecer um novo artista baiano que vem apresentando um ótimo trabalho cultural e fico triste porque passado algum tempo fico sabendo que esse artista se viu obrigado a abandonar a carreira e deixar de usar o talento para trabalhar numa loja de Shopping para sobreviver. Não estou desmerecendo ou desrespeitando o trabalho digno dos comerciários, estou dizendo que artista sonha em viver de sua arte.

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1 comentários:

  1. Caro amigo Leo... Compreendo a tua angústia e desabafo diante do descaso e do desinteresse das pessoas pela arte, literatura, poesia... Felizmente ou infelizmente, vivemos num mundo em que as alternativas são várias, seja através das redes sociais, televisão, rádio etc; a oferta de espetáculos é grande, a quantidade de poetas e escritores parece ser maior que a de leitores; etc

    E a urgência da vida, a labuta para sobreviver e ganhar o pão de cada dia, acaba tomando boa parte do tempo e da atenção de quem poderia fruir, curtir, ouvir, aplaudir... Até mesmo para um poeta recitar em ônibus falta espaço (buzus lotados) e vontade de alguns.

    A arte se espalha, se metamorfoseia, se infiltra por outros caminhos, vias laterais e becos alternativos. Felizmente!

    Mas em uma questão que vale a pena falar. O Estado pode intermediar, pagar para estes artistas, seja direta ou indiretamente, a fim de que eles possam criar... É fato e é direito do cidadão. No entanto, nós, cidadãos, ainda não estamos acostumados a participar das lutas por nossos direitos. Estive em três Conferências Estaduais de Cultura e vi que os meus colegas poetas e escritores não estavam lá, justamente na hora em que se discutia QUANTO, COMO, QUANDO e ONDE o governo estadual deve aplicar dinheiro na criação literária, publicação de livros, comercialização, leitura e debate sobre poesia e literatura...

    Eu me angustio, muitas vezes, pela falta de incentivo e investimento em arte. Sei que a culpa desse desinteresse não é só do artistas, em si, ou seja, faz parte de um conjunto de circunstâncias. Mas hoje em dia em sofro menos e me angusto menos, pois estou fazendo a minha parte há muito tempo... E eu tento arrastar muita gente comigo, nas minhas crenças malucas em um mundo melhor, nos meus projetos megalomaníacos por uma literatura acessível e barata. Se vou ser um vencedor, o futuro dirá. Se terei lucros literários e financeiros com essa labuta, é incerto. O certo é que faço!

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